segunda-feira, 12 de setembro de 2011

2º Carta aos senhores das terras médias


Carta escrita por um líder de uma das 7 tribos das terras médias, em resposta há uma carta enviada pelos homens da muralha norte das terras congeladas





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Escrita em uma lua nova de outono

Os pássaros voam rapidamente e ainda estão fora de época.


As noticias trazidas do norte não são animadoras. Mas não cairemos na loucura do caos organizado pelos deuses.

Somos objetos em um tabuleiro para os deuses. E outros senhores querem usurpar nossas terras a mando de novos deuses. A guerra será travada além da terra e do mundo além da vida.

Lamentamos as angustias vivenciadas pelos irmãos da muralha ao norte congelado. Não era o momento de lutarem entre si. Entre o próprio sangue.

Nada tira da minha cabeça, em particular, que esse caos é trazido pelos homens de preto que trazem o deus pregado na cruz! Trazem a discórdia e o medo.

Mas algo acima disso me deixa em alerta: Esses mesmos homens de preto com seu deus pregado na cruz vieram com sede, vorazes conquistando nossos homens e sem aviso, sem deixar uma razão, sumiram! Todos estão indo para o leste. Em direção ao mar, provavelmente cruzarão o canal e irão em direção das terras do rei Edmundo XI, o traidor! Ele é uma peça do deus pregado. Convertido pelos homens de preto. Receio um ataque desse rei louco. Mas confesso estranheza. Pois as tropas das sete tribos subjugam facilmente o exercito vindo das terras de Edmundo.

Então presumo que algo acontece muito além de nossas fronteiras. E esses corvos desgraçados, que carregam as cruzes de madeira se calam, não dizem nada.

Nem a tortura abre a boca dos malditos corvos!

Confesso que torturei dois abates e apenas um repetiu inúmeras vezes às mesmas palavras:

“O pecado será punido pelos próprios pecadores. O mal abaterá o próprio mal”...

Malditos corvos.

Muitas famílias que não mais pertencem à antiga religião estão vivendo em nossas terras. E eles nos pagam muitos tributos, por isso não os matos! Entretanto esse novo deus está crescendo e nossos deuses estão irando-se!

E não poderei abrir guerra contra os homens do deus pregado, sem antes saber o que está acontecendo além de nossas fronteiras ao sul. Não arriscarei uma guerra contra Edmundo XI sem saber o que afugenta os homens de preto.

Confesso que a habilidade da escrita foi-me ensinado por esses “tais” abates. Os paguei com ouro para me ensinarem essa habilidade. Pois nunca confiaria em outra pessoa para escrever por mim. Principalmente cartas em tempo de guerra ou de instabilidades.

Hoje apenas eu e um amigo, Hermerdad. Apenas nós escrevemos em nome de minha tribo.

E pelo que sei apenas outras três tribos tem homens que escrevem ou lêem. Sem contra os homens do deus pregado. Mas ninguém é doente em confiar nesses corvos.

Então, não confie em nenhuma carta que não conter meu nome com minha letra e meu carimbo, Sir. Loreson.

E em respeito ao seu nome e aos homens da muralha das terras congeladas, enviei 50 (cinqüenta) cavaleiros à frente e mais mil lanças.

Aguardarei noticias do norte. Seja do seu povo ou de meus homens.

JAEL, Logartan Rognard; de Bebbamburg

JJJARLR

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Carta aos senhores das terras médias


Responsavelmente dirijo aos senhores às noticias de meu estandarte.

A bandeira que trás o símbolo do lobo. Das terras do norte, responsável pelas muralhas que seguram os bosques e terras gélidas que vão além do nosso alcance visual está se rasgando aos poucos.

Sugiro que se preparem para uma guerra pouco desejada.

Muitos fugirão, atravessarão o mar, levarão suas famílias para longe. Eu gostaria de estar longe. O mais longe do meu mundo. Pois eu vejo as teias do destino se formando, grandes dores e perdas; mas o pior é saber da impotência e limites do meu poder. Sendo que não tenho força ou reação pára frear o destino.

O dever ou os juramentos feitos nessa vida não me permitem tamanha ousadia. A honra em ser o que necessitam que eu seja.

Alerto que o inferno virá junto com o frio. O céu escurecido por nuvens pesadas será o prenúncio, pior que as vozes de lamentos que suporto todos os dias.

O senhor das terras se perderam. Lamento em dizer, porém afirmo que tenham caído em uma armadilha provocada pelos deuses, como muitos acreditam, ou mais sabiamente, poderei dizer provocado pelos homens do mundo.

Os senhores que faziam as forças do norte se perderam.

Primeiramente posso dizer que não caíram pelos fios das espadas. E sim pelas cortantes línguas, venenosas, mais poderosas que mil espadas.

A rainha da lua, senhora do grande Lord, causou grandes choques de palavras, melhor dizendo, fortes intrigas com o grande senhor das terras das pedras queimadas. Chegando ao ponto de seu marido cortar os laços com os homens das terras mencionadas. Quase mil lanças saíram das grandes muralhas. O Caos foi iniciado.

O grande senhor das florestas de Arcan ficou irritado com a perda de tantos bons soldados. Tentando apaziguar o Caos. Mas um furacão não muda de direção com um simples assopro. O grande senhor de Arcan conflitou-se com a rainha da lua, fortes discussões com o grande Lord culminaram em uma batalha sangrenta, sangue do norte derramado e nenhum inimigo, nem mesmo uma sombra caída fora das grandes muralhas. O meu receio veio logo em seguida quando os três Karls conspiraram contra o grande senhor do norte. Um Karls foi morto, a morte trouxe consigo o lamento de muito e a acusações de tirania e maldade da rainha da lua. Muitos soldados deixaram as muralhas. Voltando-se contra o grande Lord. Afastaram-se e esperam a queda de meu reino. Mas com a queda não haverá mais reino ao norte, não haverá mais reino de senhores nas terras médias e nem ao sul. Cairão um a um. Novos deuses invadirão nossas terras e com eles as criaturas das florestas que vão além da grande muralha.

O grande Lord permaneceu ao lado de sua rainha. Derramou sangue e criou o Caos. Grandes soldados se preparam para enfrentar espadas ou lanças e se esquecem de outra grande arma: As palavras embriagadas pelo amor de uma mulher. A Rainha conspirava contra o grande Lord e fugiu com um amante para o Sul. A rainha achou novo sangue para injetar seu veneno. E deixou nosso reino quase morto. O Grande Lord morreu de uma febre. As pessoas que não fugiram estão com medo. E agora apenas eu comando e guardo as grandes muralhas, com os soldados que me servem lealmente. E provavelmente aqui morrerão, preferindo morrer em sua terra.

Se as grandes muralhas caírem, o caminho estará aberto para aqueles que caminham no gelo e na noite. Aqueles que o frio não mata e nem congela.

Com o cargo que tenho. Faço minha função de proteger a entrada para as terras dos nossos reinos. Caso queiram defender-se preparem para a chegada do inverno. Pois ele atravessará as muralhas e chegarão as terras médias. E caso queiram combater nas grandes muralhas e marcharem para o norte, sinceramente, não sei o que encontrarão quando chegarem aqui. Pois escrevendo essa carta eu vejo o vento trazer nuvens e os primeiros grãos de neve.

Saudações das terras Arcanticas. Que a memória nossa não se perca quando suas espadas forem desembainhadas.

Sir. Loreson Martiriano

Casa dos lobos de Arcantica

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Um pouco sobre os Vikings



A Busca Dos Vikings

O sol quente retorna novamente,
E derrete a neve
O mar é livrado das correntes geladas
O inverno esta indo

Em pé junto ao oceano
Podemos ouvir as ondas
Chamando-nos para fora com a maré
Para navegarmos em nosso destino

Odin! Guie nossos navios
Nossos machados, lanças e espadas
Nos guie por tempestades que chicoteiam
E na guerra brutal

Nossos navios nos esperam no porto
Chegou a hora de deixar
nosso país, família e casas
pelas riquezas no leste

Alguns de nós não retornarão
Mas isso não vai nos desanimar
O nosso destino está escrito nas teias
Tecidas pelas Norns

Um carneiro é sacrificado
Na proa do do longo navio,
E enquanto ajustamos nossas velas
Uma forte brisa começa a soprar

Ela transporta-nos para o mar
Com esperança de fama e orgulho
E gloriosos todos serão
aqueles que com a espada na mão morrerem

Odin! Guie nossos navios
Nossos machados, lanças e espadas
Nos guie por tempestades que chicoteiam,
E em guerra brutal

Odin! Guie nossos navios
Nossos machados, lanças e espadas
Nos guie por tempestades que chicoteiam
E em guerra brutal

Letra da banda Amon Amarth

* As Norns são um clã de deusas gigantes Jotuns (de Jötunheimr), Urd (passado), Verdandi (presente) e Skuld (futuro), que tecem o destino dos humanos.

Comentário:

Os povos nórdicos, como por exemplo, os dinarmaqueses ou os noruegueses, foram conhecidos em um período, um pouco anterior a idade média, como grandes guerreiros, ferozes e pagãos! Além de que eram grandes comerciantes, pois tinham uma técnica de navegação útil para a época; e esses mesmos comerciantes serviam como espiões, para possíveis ataques as cidades.

Os povos nórdicos, dizem alguns historiadores, que desbravaram várias regiões do mundo, incluindo a América do norte, chegando próximos desse continente pela Groelândia. E também em outras regiões do mundo. Mas as terras que os nórdicos cobiçavam isso eu me guio pelos romances clássicos sobre esse período, eram as regiões da Bretanha ou até mesmo a terra dos Francos. Buscavam terras ricas para plantar e criar animais, além de extensão para criar comunidades ou povoados.

Esses povos Nórdicos eram chamados de Vikings quando se juntavam em bandos e junto de seus barcos navegavam implantando saques a outras navegações comerciais e a invasão de terras para saques e pilhagens. Uma atividade caracteristicamente próxima da pirataria.

Na Bretanha, por exemplo, o primórdio do cristianismo ganhava muita força. O que fazia dos Dinamarqueses pagãos, enviados do mal para punir o povo cristão da Bretanha que por muito tempo cultuavam os “falsos” deuses, de acordo com os cristãos da época.

Os Vikings ou povos nórdicos conquistaram muitas terras. Muitas guerras. Levando o medo para Francos, bretões e saxões. Um povo antigo com uma cultura mítica rica e interessante.

Aos poucos vou descrevendo mais sobre a cultura desses povos antigos.

Thiago


sexta-feira, 3 de junho de 2011

[Conto 2, parte2] Lua prateada olhos amarelados

Atrás da banca de jornal um casal fumava maconha, o cheiro se espalhava pelo ar, Alexandre resolveu caminhar para outro bar, não pelo cheiro da erva queimando, pois ele simplesmente era um andarilho da noite, seguindo mais para o norte da cidade, subindo a avenida mais alguns quarteirões do local que estávamos. Preferi não ir. O sono retornava, precisava descansar a cabeça para depois reorganizar meu raciocínio. Algo fazia sentido em meio tantos pensamentos turbulentos. Era hora de retornar para casa.

Despedi-me de Geraldinho, o dono do bar, um sujeito barrigudo e meio careca; os dois homens que conversavam ao meu lado no balcão já haviam ido embora.

Segui descendo a avenida principal, passei em frente ao ponto de ônibus que fica na esquina do bar, ainda havia muitas pessoas esperando o corujão, os ônibus da madrugada; as ruas ainda tinham vida naquela parte. Após cinco minutos de caminhada havia chego a frente da catedral, horas antes era grande a movimentação na praça em frente à igreja e dos carros que subiam a avenida, naquele momento, que retornava, se ouvia os morcegos que viviam nas arvores da praça, entrei no estacionamento da catedral, iria cortar caminho pela igreja, descendo as escadarias ao arredor da entrada principal; começava a notar como eram belos os desenhos da vidraça da igreja, as esculturas de anjos que ficavam nas muretas do estacionamentos, aquele lugar era calmo, passava uma tranqüilidade, era a essência da noite. O vento ficava mais gelado, o céu estava límpido, estrelado e a rua solitária. Percebia também que Alexandre estava correto, a cidade adormecia mais cedo que o normal.

Esquina da Rua Santa Maria, descia sentido ao mercado municipal, era o centro comercial da cidade, algumas ruas apenas com lojas, escritórios, praticamente nenhuma residência, durante o dia era um caos, a noite era naturalmente um imenso espaço vazio. Acostumado com o clima descia a rua em silêncio, olhei para trás não via ninguém, apenas sacos plásticos sendo levados pelo vento, estalos nos fios de alta tensão do poste; imaginava como seria alvo fácil alguns estabelecimentos para assaltos, quanto tempo a policia demoraria a chegar caso fosse necessário, outras vezes pensava como estavam em péssimas condições das calçadas, os bueiros sujos; em meio aos pensamentos não ouvia os latidos de cachorros, era algo normal, que fui percebendo aos poucos. Mais cachorros latiam distantes, alto o bastante para se ouvir, os latidos foram ficando mais fortes, mais nervosos, alguém em algum lugar deveria estar provocando os cachorros. Apertei os passos, naquela altura da noite não era interessante encontrar ninguém na rua, principalmente quem provocara a ira de tantos cachorros. Logo em seguida começou um som que me chamou atenção, estava de frente para a praça do Mercadão, havia duas ruas que eu poderia entrar, a primeira entrada para uma rua que fazia uma grande curva, dificultando a visualização da outra ponta da esquina, ouvia galopes... Pensava - “quem estaria cavalgando aqui, nessa hora?” – Loucura, um frio passou pelo corpo, uma sensação de desespero oculto, mas não estava com medo. Olhava para esquerda observando a rua que fazia a curva, havia um poste com a luz fraca iluminando a virada, enxergava um bar fechado ao lado de uma ótica, nada mais, fortes galopes ressoavam pelas ruas, parece que o som surgia de todas as direções. Encostei-me ao canto da parece, tentava observar quem andava na outra ponta da rua, o som parou repentinamente, resolvi caminhar um pouco para dentro da rua tentando alcançar uma melhor visualização, cada passo era mais adrenalina jogada no sangue, não entendia o porque da tensão, ainda não sentia um medo comum, sabia que alguém caminhava na outra esquina, uma sombra cresceu por um instante ao pé de uma pequena arvore, plantada não há muito tempo, foi um rápido momento, algo passou por instantes, recuei alguns passos, ouvi uma respiração forte, longas aspiradas de ar - Quem tentaria buscar cheiros no ar? – balbuciei. Novamente a sombra passa rapidamente. Sons de galopes rápidos, meu olhar fixo na única parte do outro lado da rua que enxergava. Paralisei. Terror mórbido. O choque que inconscientemente esperava. Um vulto negro e comprido passa rápido, mas não tão rápido a ponto de eu não o ver. No fundo eu sábia quem era, ou melhor, o que era. Corri para a praça do mercadão, procurei correr em sentido contraria a rua que estava, parei, olhei para o lado, via um ponto vermelho, provavelmente alguém fumando. Comecei a andar rápido em direção ao fumante, vinte metros adiante havia outra entrada para uma rua que começava a subir sentido a minha casa, porém, a rua anterior no qual vi o grande animal que aspirava o ar sairia nessa próxima rua, não poderia subir ela, passaria reto e correria como nunca. Chegando próximo a esquina da rua seguinte um cala frio forte, era praticamente um medo de olhar para a esquina da rua que surgirá adiante. Coração disparado, o som dos galopes cessaram, não sei o momento exato, pois fui dar conta disso quando passei pelo ultimo pedaço de parede, começou a rua, olhei para a direita, nada na outra esquina; ressoa um som alto de ferro entortando. Meus olhos arregalados e estáticos avistam um focinho com um nariz negro surgir, uma cabeça com orelhas em pé, atentas, pêlos negros, eis que surge uma fera andando sobe quatro patas, era maior que qualquer cachorro grande, meio corpo do animal passou pela esquina, ele parou, aspirou novamente, olhou para minha direção, tentai não fazer barulho, fiquei estático, ele saía de uma rua escura, pouco iluminada, seus olhos brilhavam, olhos assassinos de um caçador perfeito, fixos. O animal colocou uma pata na parede e forçou o corpo para frente se pondo em pé, derrubou um pedaço do reboque da parede, em pé era enorme, muito maior do que eu, praticamente três metros de altura, mais ou menos, as patas traseiras eram longas, quase iguais a de um cachorro, as patas da frente mais pareciam braços longos quando estava em pé, no qual os dedos eram mais longos e separados se comparados com as patas traseiras. O animal caiu sob quatros patas novamente, dessa vez pulando para frente, mostrava todo o corpo dessa vez, me assustei, mas não me mexi, talvez aquela coisa quisesse que eu corresse. Ouvi passos vindos, olhei para o lado, o rapaz que fumava descia em minha direção, olhei para o animal que caminhava também em minha direção, lentamente ele andava e ia se pondo em pé novamente, as patas da frente se esticam novamente parecendo braços soltos, sem tocar mais ao chão, agora o tronco ia erguendo-se; o rapaz chama minha atenção falando alto.

- E aí cara, o que você ta fazendo aí? Ta com medo de mim, rapa? – Olhei assustado para o cara que vinha com um capuz na cabeça, talvez ele quisesse me assaltar realmente e vendo o medo nos meus olhos ele obteve a presa perfeita, porem, nós dois nos tornamos presas perfeitas. Olhei para a fera de pêlos negros e olhos amarelados, ela parou com a voz do homem, se minha visão não ficou deturpada pelo medo, consegui ver as unhas do animal se alongando junto com os dedos esticados e a fúria animalesca foi solta com um urro selvagem, a boca aberta mostrando os enormes caninos, uma boca daquela, com tantos dentes amarelados e pontiagudos poderia arrancar qualquer parte do meu corpo sem dificuldades. Outro urro furioso seguindo de um uivo ensurdecedor, o homem parou pego de surpresa, olhei para o individuo e gritei já correndo.

- Corre, corre, puta merda, corre! – Era o que eu conseguia falar, a criatura estava quase um quarteirão de distancia de nós, passei correndo pelo homem ou jovem, não olhei para seu rosto, depois que me viu passar correndo por ele gritando para correr, também decidiu se mexer trotando por pouco tempo até parar e começar a olhar para a esquina que eu estava parado; novamente ouvia-se o galope do animal que já não se escondia, foi minha vez de olhar para trás e ver o homem correndo muito mais lento do que eu e sempre olhando para a esquina. Eu corria sem cansar, muita adrenalina no sangue, nesse momento ouvi o desespero do homem, gritava como uma criança alucinada pelo medo. O individuo corria em disparada. Na esquina o animal virou a rua galopando em quatro patas, a criatura aspirava o ar, rugiu pela terceira vez, nesse momento senti que agora aqueles olhos amarelados fixariam em um de nós dois e caçaria a presa escolhida com uma fúria maldita.

Corria por uma rua íngreme, o ar começou a faltar. Adiante a rua terminaria, não poderia seguir reto, teria de virar para esquerda ou direita. O homem continuava gritando, já não ouvia o animal. No fim da rua olhei para a direita, uma boa descida, porém não enxergava nenhuma luz a não ser dos postes, não teria nada adiante. Olhei para esquerda, duas ruas a frente haveria uma rotatória, passando por ela chegaria a um posto de gasolina ainda com luzes acesas. Não pensei e comecei mais uma corrida rumo à luz.

- Deus do céu. Sai daqui desgraçado! – ouvia o homem gritando, pelo menos estava vivo ainda.

Eram duas ruas até a rotatória, sentia o cansaço da corrida, do nervoso e o medo.

Olhei novamente para trás após ouvir o desespero do rapaz, ele havia virado a rua também, estava quase uma rua atrás de mim, um pouco depois do homem a criatura faz uma curva rápida, com os dentes a mostra e babando. Senti o fim do homem desconhecido. O animal passou ao lado do rapaz, ergueu-se em duas patas e com um dos braços rasgou o homem com as grandes unhas, um golpe feroz passou pelo corpo humano, rasgado como um pedaço de papel; um grito e o corpo caindo. O animal olhou para mim, cheirou o ar e continuou a me caçar. Meu medo virou o desespero há pouco vivido pelo rapaz rasgado e caído. Não poderia correr mais do que aquela coisa. Faltava meio quarteirão para chegar à rotatória, e mais um pedaço para o posto de gasolina, estava fadado à morte naquele momento... Caso não fosse os dados jogados pela vida. Um jogo de encontro e desencontros forjados e ultrajados pelas razões universais.

Um Pálio branco vira a rua rapidamente, luz alta, não enxergava quem estava no carro, pulei para a calçada, era a distração mandada para ter uma chance. O carro breca seco fazendo um barulho e trazendo um cheiro de borracha queimada. Som da buzina, não olhei para ver o que ocorria, estava em uma fuga cega. Ouvia o rosnado da fera, gritos de mulheres no carro, e a buzina novamente. O carro passou por mim, engatado em marcha ré, o motorista usando a sensatez preferiu voltar ao invés de tentar atravessar o caminho da morte. O carro parou, abriu a porta traseira, não pensava, por impulso pulei no banco traseiro caindo no colo de duas pessoas, havia quatro pessoas atrás contando com minha presença. Sem fechar a porta e com minhas pernas para fora começou a fuga. O animal deveria estar em pé, pois conseguia ver sua cabeça, seu rosnado, e seus olhos cravados em mim. O homem vestindo um terno bege passou por cima da rotatória, as mulheres choravam. Algumas pessoas saíram do posto de gasolina e foram ver o que ocorria. A criatura nos seguiu até a esquina, parou, rosnou e observou o movimento das pessoas vindas para acudirem os passageiros do carro que subiu na calçada e bateu em uma porta de algum estabelecimento. Tremia, sentia o medo frio do desespero.

Todos estavam fora do carro. Dois homens ameaçaram ir até a rua que havíamos subido, mas foram detidos por um uivo que rasgou a noite. Sabia que a fera havia receio de defrontar muitas pessoas ainda, foi o alivio momentâneo. As mulheres diziam que haviam visto a criatura dos infernos. Todos que estavam no carro falavam em pestes, anjos caídos, ou bestas apocalíptica. Pareciam fanáticos alucinados. Talvez estivem todos certos ou simplesmente buscam explicação no que fazia parte de suas crenças. Os policiais chegaram com várias viaturas, fizeram busca, ouviram minha história, procuraram o homem que eu havia descrito, não acharam ninguém, apenas muito sangue empoçado, arrastado. Um animal estivera ali, o que tirou as suspeitas de culpa da minha pessoa. Entretanto fui diagnosticado como uma pessoa perturbada, em estado de choque. Os homens do posto de gasolina não viram nada, só ouviram um cachorro uivando de medo do barulho provocado pelo motorista do Pálio. Informações desencontradas e um assassinato. Foi o que a policia encontrou. E uma história de uma besta noturna, o anjo da morte que caminha pelas ruas soturnas.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dica de Livro: O rei do Inverno, de Bernard Cornwell


O Rei do inverno é o primeiro livro de uma trilogia chamada: As crônicas de Artur.

Narradas por Derfel Cadarn, um órfão saxão adotado por Merlim e que acaba por se tornar um dos principais guerreiros a serviço de Artur.

As crônicas arturianas tratam da lenda de Artur, muito conhecida, não somente na Europa, mas em todo o Mundo.

Posso dizer que Bernard é um dos melhores romancistas históricos do mundo, para não dizer o melhor. Ele trabalha com a lenda arturiana de uma forma jamais vista, fazendo ligações de possibilidades históricas, tentando contextualizar diretamente com o histórico da antiga Grã-Bretanha.

Uma história fantasiada criada em um ambiente historicamente plausível que torna a escrita de Bernard intrigante, nos prendendo do inicio ao fim, e fatos tão complexos e detalhados como as descrições do cotidiano, da política, da barbárie e das batalhas da época.

Os personagens sempre presentes nos contos arturianos, como Guinevere, Lancelot, Merlin e o próprio Artur ganham personalidades marcantes e fazem o leitor se simpatizar com as personagens, criando laços em uma relação de ódio e amor, que pode te levar a algumas lágrimas.

O contexto histórico da obra foi elaborado em uma época considerada “Era das trevas”, anterior a idade média, período posterior a saída dos romanos da Grã-Bretanha, que está devastada com o domínio romano, além de estar sofrendo com as invasões Anglo-Saxonicas, e Artur, um grande estrategista cai em uma trama do destino, e se prende aos conflitos militares com os inimigos Saxões. As narrativas das batalhas são maravilhosas, excepcional, muito bem detalhada e elaborada.

Outro ponto que me chama a atenção é a invasão do Cristianismo, que confronta-se com a religião antiga dos Druidas; formando intrigas e tornando a ilha Britânica em um caos. A magia é outro ponto forte nas narrativas de Cornwell deixando em aberto o julgamento de fatos que tanto poderiam ter sido reais, como apenas uma combinação de manipulações psicológicas, retórica e o uso de tecnologias primitivas.

Um jogo de intrigas feitas pelo Destino. Conflitos militares e religiosos. Amor, e MUITA brutalidade, sangue e espadas rompendo escudos.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dica de Filme: Lua Negra, lançado em 1996.



Inicio o texto com a seguinte frase: "Isso sim é um lobisomem!"

Lua Negra é um clássico. Lançado em 1996, considero a produção desse lobisomem como umas das melhores, muito bem feito e o melhor de tudo é que não foi necessário um “grande aparato tecnológico” para tal, ou seja, cenas totalmente feitas por efeitos especiais, não mesmo. Até porque não tinham tantos recursos como se há hoje, porém eles tinham algo que eu sinto muita falta nos filmes mais atuais: Criatividade. A simples e eficaz criatividade humana.

A montagem do Lobisomem, de Lua Negra, me parece algo feito manualmente, com poucos recursos gráficos, como se fosse “artesanal”; maquiagem, fantasia, muito pêlo. Feito e orientado pelos produtores do filme. Mas posso dizer que ainda não supera a cena da transformação em Lobisomem do Filme: Um lobisomem americano em Londres, lançado de 1981, 15 anos antes. (Mas sobre esse filme postarei algo na sexta, 27/05, inclusive a cena da transformação) Posso adiantar que é um filme inesquecível.

Voltando a Lua Negra, o filme não é unanimidade entre os fãs do Gênero: Terror/Suspense. Entretanto, posso afirmar que se trata de um filme com uma boa história, bem estruturada (nada extremamente genial, mas muito respeitada); e também classifico como um filme bem produzido, criativo, com cenas marcantes. Inclusive um dos heróis do filme é um cachorro pastor alemão. Algumas partes chegam a beirar uma tensão, nervosismo... Difícil de acontecer quando se usa muitos efeitos especiais. E o final... FODA.

domingo, 22 de maio de 2011

[Conto 2, Parte 1] Lua Prateada olhos amarelados

Os olhos se abrem sempre no mesmo momento. Sempre na mesma cena, qualquer sonho transforma-se em pesadelo. Chegou um tempo que eu não sabia se era dia ou noite, se chovia ou se fazia sol. Meu mundo não era nada além de um quarto, banheiro e cozinha. Minha janela era minha mente, meu mundo girava em torno das lembranças e pensamentos que vagueavam e diluíam aos poucos. O sono volta sempre pesado, a mente pede descanso, mas nego há dias.

Algum dia do mês de maio era o que eu sabia. Minha localização no tempo. Acordei depois de cochilar, olhei para a televisão desligada, sempre que olhava para o aparelho sentia uma sensação vazia, era como se eu não tivesse vontades nem tivesse o menor sentimento. Pensava em nada, apenas a queria desligada. A guitarra encostada no canto do quarto permanecia muda e empoeirada, nos momentos ruins o som que tirava dela me animava, me levava para outro lugar, fora do que eu vivia. Dessa vez nem ela surtia efeito algum, não tinha motivos para tocá-la, não me animava. Levantei da cama e segui até o banheiro, olhei pela janela e ainda não havia anoitecido, porém a luminosidade não era forte, calculei que poderia estar perto das 18 horas. Nenhuma luz acesa; fui tomar um copo d’água, o som do galão e da água caindo foi me entorpecendo, pensava o que estava acontecendo, porque estava tudo desse jeito, tudo muito silencioso, sentia a água escorrendo pelos meus dedos, voltei a si.

Não tinha mais o sono que entorpecia até a alma, parecia que caminhava por uma estrada na qual ninguém mais viajava. Não tinha interesse em saber o que falavam, parecia que todas as pessoas fossem previsíveis, tudo muito óbvio, ou simplesmente eu estava fora de freqüência, sem a sincronia comum das pessoas.

Todas essas sensações, havia quatro dias que as sentia, foram revertendo-se em uma curiosidade, uma vontade que até então desconhecia, queria saber o que acontecia ou aconteceu depois da madrugada em frente ao terreno da estação, o que havia se passado com os policiais, será que algo anormal acontecia na cidade para a qual nem pela janela olhava.

Começo de noite, se não estou enganado era uma sexta feira ou sábado, tenho essa convicção, pois era uma noite relativamente movimentada na cidade, carros e mais carros passavam pelo centro, subiam a avenida, era a juventude sendo guiada pelos hormônios a flor da pele, era a sede por cerveja, álcool, mulheres por homens e vice versa, era o natural da vida acontecendo, os jovens procurando seu tempo, seu momento.

Subia a avenida, caminhava tranquilamente, apreciando todo o movimento dos carros, as pessoas falando, algumas exaltadas outras tímidas; gostava de observar a grande igreja, uma bela catedral suntuosa que ficava em frente a uma praça extremamente arborizada, gostava daquela igreja antiga, trazia a paz, pelo menos a mim, no meio caótico do centro da cidade, realmente era uma noite de final de semana; e eu vislumbrava tudo como se estivesse fora daquele plano real, observando tudo por uma janela, de longe. A noite estava gostosa, não choveria e nem fazia calor, subia a avenida e imaginava o que acontecia dentro da praça arborizada, drogas, álcool, casais tarados, quem sabe, ou simplesmente casais de namorados apreciando a noite juntos; eu iria tomar minha cerveja e conversar com os habituais freqüentadores do Solt bar, do inusitado Geraldinho. Era um bar que ficava no centro da cidade, havia muitos bares pomposos naquela região, “bem” freqüentados, jovens com um bom poder aquisitivo, desfile de carros e motos, realmente havia esses bares, mas nada disso me mostrava interesse, não tinha boa impressão desses lugares, na minha cabeça deveria ser tudo muito chato, pessoas muito iguais, assuntos de uma mesmice padrão, nada da minha freqüência. Eu achava interessante o Solt bar, o dono era mais doido que muito dos bêbados ali presentes, havia estudantes que apareciam às vezes e davam um ar diferente ao bar para quem passava de carro e desconhecia o lugar. Entretanto o que me chamava à atenção eram as figuras que surgiam, algumas eram “figuras carimbadas”, sempre presentes, faziam parte do lugar; também era ponto de encontro de alguns motoqueiros. Muitos grupos de roqueiros, punks, cabeludos vestidos de preto, no geral, formavam tudo junto um ambiente imprevisível, às vezes leve outras vezes pesado, sempre algo diferente acontecia naquele lugar.

Havia chego à esquina do bar, passava em frente a uma farmácia 24 horas, sempre que andava pelas ruas eu emergia em pensamentos, prestava atenção nos detalhes do cenário a minha volta, porém os pensamentos me levavam para longe, às vezes pelas lembranças, outras por duvidas sobre o futuro, cada detalhe era uma viagem, foi em uma dessas distrações que levei um susto, enquanto atravessava a rua em direção as pessoas que agitavam-se em frente do estabelecimento, foi como se uma voz me chamasse e algo passasse rente a minha cabeça, uma corrente de vento, algo assim, olhei para trás e para os lados, procurando alguém próximo de mim, havia duas meninas se beijando em frente de uma porta fechada, elas gemiam e faziam ruídos em baixo tom, talvez o bastante para chegar a meus ouvidos.

Muitas pessoas com copos de cerveja na mão, conversavam, riam, a principio não havia visto nenhuma pessoa conhecida. Adentrei, puxei um banco e me sentei no balcão do bar, as mesas externas estavam lotadas, muitas pessoas sentavam-se na calçada do outro lado da rua.

Fiquei quieto, observava as pessoas que estavam perto de mim, elas falavam sobre um grupo de extermínio ou sobre uma gang violenta, um homem careca falava em tom meio chapado.

- Dizem que é um grupo racista, uma molecada que está matando quem mora na rua. Em São Paulo tem uns filhinhos de papai que ateavam fogo em moradores de rua, vai saber o que fazem aqui. - Quase todos no bar falavam sobre isso.

- Como podem ter coragem de matar uma pessoa que já está acabada nas drogas e ainda fica sofrendo na rua? É muita filha da putagem. – diz um homem franzino de óculos, aparentemente inteligente. Geraldinho puxa um pedaço de pau, que ele deixa debaixo do balcão e fala alto quase dando risada.

– Quero ver o maldito que vai querer matar alguém aqui, eu quebro as pernas antes disso. - Todos fazem barulho e zombam da brincadeira do gordinho simpático.

- E o seu madruga, sumiu mesmo? Ninguém o viu em lugar algum. – pergunta o homem de óculos. Seu madruga era um morador da praça que fica em frente ao bar, era um homem magro e com um grande bigode, era “adotado” pelos freqüentadores do bar.

-Sumiu mesmo. Antes de ontem ele comeu um lanche de salame aqui e no dia seguinte só acharam algumas tralhas debaixo da arvore que ele costumava dormir, creio que ele já era. – falou em tom sombrio o homem careca, sentado ao meu lado. Continuavam conversando, Geraldinho me cumprimentou dizendo.

- Quanto tempo. Pensei que tivesse sumido também, o Xandão disse ontem que faz uns três dias que ninguém te via em lugar nenhum. O que aconteceu? – Geraldinho me servia uma garrafa de cerveja e um copo, permanecendo com os olhos em mim.

- Eu andei meio doente, um resfriado, esperei ficar bom antes de sair de casa. – Menti. Inventei uma desculpa sem me preocupar em esconder minha mentira, era tão lógico que algo mais havia ocorrido comigo, pois até meu trabalho eu havia perdido.

- Sei bem. Espero que você arrume alguma coisa pra fazer, se não daqui um tempo nem dinheiro pra tomar uma cerveja você vai ter. Essa aqui é por conta da casa, mas não acostuma, seu maluco. – Geraldo sorriu e voltou a conversar com o pessoal ao meu lado.

Olhei para rua que continuava movimentada, deveria ser por volta das 21 horas, esse movimento não passaria da 1 hora da madrugada, cidade do interior funciona assim, passando da meia noite as pessoas saem das ruas e vão para outros lugares. A rua fica deserta.

- Sumiu o Madruga, e pelo que o Jorge tava falando até aquele bando de sem teto que ficava na praça da estação ferroviária desapareceu, eram uns cinco ou seis, acho que apenas um foi encontrado perto do cemitério, acho que levaram ele pra uma clinica de doido, O cara não tava falando coisa com coisa. – o comentário do Geraldinho me fez voltar à atenção para o trio de homens que papeavam sobre os sumiços. O que me chamou atenção foi o lugar citado, a praça da estação. A praça que usei o orelhão para telefonar para o 190; a antiga estação, foi com esse lugar que sonhei por dias e noites. Estranhamente o que esses homens falavam fazia sentido na minha cabeça, só não sabia ainda qual sentido.

- Vai ver eles se juntaram e foram embora para outra cidade, ou pegaram eles forçados e levaram para outro município. Nenhum corpo, nada. – o homem careca levanta essa hipótese.

- Acho que não, não acharam corpos, mas acharam sangue na arvore aqui da praça e na estação meia parede velha foi derrubada, aquela parede que ficava entre o terreno do viaduto e uma casinha velha que pertence à estação, era o abrigo dos moradores de rua, e havia marca de brigas por todo lado; vai ver acharam alguma coisa lá, mas a policia encobre tudo para não queimar a imagem da cidade. - Todos pensavam e davam sugestões, imaginavam de tudo, era o assunto do momento.

Eu cortei a conversa com uma pergunta brusca.

- Desde quando começou a acontecer essa porra toda? – perguntei serio, todos se calaram, era como se eu fosse um forasteiro. Geraldinho me responde sem se surpreender com minha pergunta.

-Dizem que faz uns cinco ou seis dias, quase uma semana. Você ficou sumido nesse meio tempo, será que não tem nada a ver com isso, não? – Todos dão risada, o homem careca bate nas minhas costas duas vezes, o álcool corria no sangue dos homens do bar.

- É, vai saber, às vezes eu estou pelos meios e nem sabia. - Um frio corre pelas minhas costas, um leve medo expresso. Geraldinho aumenta o volume do rádio, tocava um som do Stevie Ray Voughan, pessoas falando, carros passando e eu devagando.

- E ai cara, finalmente saiu das catacumbas, deu o ar da sua graça – Alexandre, uma das figuras carimbadas do bar, chega batendo em minhas costas e sorrindo de suas próprias palavras.

- E aí, Xande, ainda assombrando o bar do Geraldo? – disse a ele em tom de cumprimento.

- Aí Geraldo, me manda um Absinto aí. – Alexandre pede sua bebida e comenta sobre algum incidente. – Você viu os rumores que andam pela cidade, pensam que algum grupo está caçando quem mora na rua. Eu não acredito nisso não, caso fosse iam deixar os corpos pelas ruas como uma assinatura. Papo de gente inocente. – Alexandre fala olhando para o trio de homens ao meu lado.

- Se for pra você beber essa merda e dar trabalho aqui no bar, é melhor ir pra outro lugar se não vou quebrar suas pernas, maluco beleza. – Geraldinho fala servindo a bebida, e pergunta com certa curiosidade. – O que você acha que acontece -.

- Eu não acho nada. Vai ver é o anjo da morte que chegou à cidade tocando o terror – Alexandre sorri contente com sigo mesmo.

- Seu maluco, e vai fumar essa porra de cigarro lá pra fora, se não vou ser multado, e eu não pago multa. – Geraldo passa o pano no balcão, mas no fundo gostava da presença do ser conhecido como Xandão.

Saímos, ficamos em pé na rua, conversando por um tempo. Percebia que aos poucos o bar se esvaziava, a praça sempre cheia esse horário estava vazia.

- As pessoas estão com medo. Normalmente a cidade ficava morta depois da meia noite, mas agora ficava vazia e com medo. Mas eu gosto, perambulo de madrugada pra todo lado. Ontem mesmo fui até o cemitério, pulei o muro e fiquei a noite toda na pracinha central do cemitério, debaixo da arvore. Fui embora quando o sol nasceu. – comenta Alexandre. Ele era uma pessoa diferente, bem repulsiva para quem não o conhecia. Era alto, pálido, sempre com sua camisa preta suja, e uma cartola que cobria parte de seus longos cabelos lisos. Era singular.

A continuação dessa noite será postado na segunda parte desse conto.

Thiago

OBS: Seqüencia do conto 1. Para quem quiser acompanhar o início de tudo.